terça-feira, 18 de setembro de 2012

Sombras

Os seres humanos têm sombras
Frequentes, precoces, tardias...
Quem as tem, sabe que falo
De sombras que toldam os dias.

E não somente os dias,
As noites lhe abrem espaço.
São sombras que a outras sombras
Se envolvem, entrelaçam.

Sombras, sombras, quando chegam
Estendem mantos espessos.
Teus sentimentos e posses
Perdem o sentido, o apreço.

Não lhes bastam turvar o olhar?
Banir do rosto o sorriso?
Que ofício pode afastá-los?
Reza, espantalho, feitiço?

Mona M. 

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Café com a Morte

Começo por dizer que se eu tiver que morrer (haha), que eu morra pela vida!

A morte é a impossibilidade de qualquer possibilidade (Hedegger?).

"- Sou tão fria e melancólica quanto uma bela manhã de inverno!
- És?
- Sim. Não importa o quanto corram de mim, porque sempre estive dentro de cada um.
- Você parece hostil. É por isso que é temida!
- Não creio que seja pela minha hostilidade. Ser hostil é necessário a minha natureza desconhecida pelos que pensam. Sou temida por não ser compreendida.
- Você acha que as pessoas não te compreendem?
- Estou convicta! Vocês compreendem os aspectos fisiológicos que se fazem necessários para que eu vingue dentro de cada um de vocês. Vocês classificam o luto, a conformidade. Porém, esquecem-se de que faço parte de um ciclo infindo e, por não poderem vivenciarem a mim em vida, temem o fim.
- E você é o fim?
- Encerro um ciclo.
- Não tens clemência?
- Não possuo sentimentos. Apenas cumpro minha função no planeta.
- Você dói?
- Brevemente.
- Você provoca acidentes? Suicídio?
- Não interfiro na vida.
- Mas a interrompe?
- Somente quando o ciclo precisa ter fim.
- O ciclo da vida?
- O ciclo do eterno retorno.
- És contraditória.
- Como minha irmã, vida."

Mona M. 

Sentido

Os objetos têm sentido quando alguém dá sentido a eles fora de seu uso comum.
Eles precisam ser olhados, manuseados. 
Como nós.
Se ninguém nos ama, vivemos mais tristes que os objetos, por exemplo. 
Isso porque não somos sombras indo e vindo, sem direção. Não somos vazios.
Ser vazio é o peso de papel sem papel, o cinzeiro sem cinza, o anjo sem asa, a adaga sem peito. 
Contudo, ante do ser amado, amar...
Amar é o que difere o homem de um peso de papel ou de uma sombra. 

Mona M. 


domingo, 16 de setembro de 2012

Fim do Mundo

Muitos cientistas acreditam que o mundo pode acabar através de uma invasão de outro planeta e, quando os extraterrestres chegarem na Terra, o nosso maior problema vai ser, acredite ou não, explicar algumas coisas para eles: 
Duplas sertanejas, por exemplo... Como explicar Bruno & Marrone para serres de "inteligência superior"? 
Como explicar que nós humanos, a raça "top da evolução terrena", cata cocô de cachorro pelas ruas? 
Como explicar a existência de micaretas e carros de pamonha para um alienígena? 
Como explicar a existência de pessoas que inalam fumaça por prazer? 
Como explicar um baile funk e a homossexualidade? 
Como explicar a desigualdade entre seres que deveriam estar no mesmo patamar da escala evolucional? 
Como explicar a um alienígena os reality shows e a bebedeira em excesso?
Como explicar o mensalão? O príncipe Charles? A realeza canadense? O primeiro ministro alemão?
Como explicar o brasileirão, a copa del rei e o Corinthians?
...
Eu vou me esconder e ficar quietinha, com sorte e duas décadas de experiência, talvez eu consiga me passar por um deles... 

Mona M. 



Girl, Interrupted

"Com lâminas, dói...
Com água, é fria...
Com ácido, corrói...
Com pílula, dá alergia...
Com arma, é ilegal...
Com o nó, pode ceder...
Gás cheira mal:
Tanto vale viver!"

Pink Knows,

Truth Hurts,
people Can Be Mean,
Anorexia Can be Overcome,
Nothing Rong With Some Meat On Your Bones,
Be Yourself, And You'll Be Fucking Perfect.

Procura-se?

Procura-se um amor que goste de cães, gatos e lebres,
que goste do frio e seje quente,
que seja cavalheiro e goste de boa música,
que saiba escolher vinho, que não se importe em viajar,
que ouça meus devaneios poéticos e respeite minhas nuances de humor... Que faça bom café e me dê rosas,
Que goste de ficar em casa, de dançar numa praça de madrugada,
Enfim, procura-se um clone de mim!
Mona M.

O Morro dos Ventos Uivantes